Mais um feito ABL, que não dispensa séria reflexão

Mais do que os resultados, uma reflexão sobre a formação das crianças na modalidade.

14 JUL 2026

Os primeiros dias do mês de Julho, 1 a 5, perante uma onda de calor muito significativa levaram a Paços de Ferreira, mais uma vez, numa organização da FPB, com o apoio da Câmara Municipal de Paços de Ferreira, a XIV Festa do Minibasquete.

Momento alto dos mais jovens praticantes, ali se encontram as Seleções de Mini 12 Femininas e Masculinas das várias Associações Distritais.

 

 

A Associação de Basquetebol de Lisboa, não foge à regra e mais uma vez também esteve na Festa com as suas duas Seleções, com os 24 elementos, 12 raparigas e 12 rapazes escolhidos pelos nossos selecionadores, de entre os 850 possíveis, de acordo com a idade de participação.

 

Certamente que o fizeram com o maior rigor e competência e que os que viveram essa experiência seriam os mais hábeis; mais aptos; mais apetrechados do ponto de vista motor e de maior capacidade de leitura e interpretação do jogo, de que tanto gostam.

 

No final dos quatro dias da atividade, a ABL alcançaria mais um feito histórico, realizando 12 jogos, 6 femininos e 6 masculinos, dos quais venceria 11, só perdendo um masculino, na fase de grupos, saindo de Paços de Ferreira com o pleno, isto é, conseguindo o primeiro lugar nos dois grupos e revelando todos os intervenientes um sentimento de enorme alegria pela sua prestação.

 

 

Seria um sintoma de alguma hipocrisia, considerar que tal não nos trouxe também alegria; satisfação; prazer; até orgulho como adultos e responsáveis pela presença destas crianças neste importante evento da modalidade.

 

Mas quando pudemos presenciar também as caras tristes, com lágrimas que por elas escorriam, por vezes até, num choro quase compulsivo de algumas das crianças que competiram com as nossas e até algumas das nossas, não podemos deixar de nos interrogar. O que está a acontecer?

 

Será que estamos a criar as condições adequadas para estas crianças crescerem saudavelmente na modalidade? Porque choram na prática da sua modalidade mais querida? Que tipo de ambiente as envolve nesta atividade? Estamos a colocar uma pressão excessiva e inadequada sobre essa prática? Será que existe uma valorização despropositada e fora de tempo, para esta idade, do papel da competição e do valor do resultado que nela se obtém? Estamos a proporcionar-lhes e a permitir-lhes o tempo necessário para experimentarem; errarem e divertirem-se? Estamos a considerá-las no centro da nossa ação educativa e formativa ou não?

 

Julgamos que um pouco de tudo isto. Daí, a nossa convicção de que urge dar espaço e iniciar uma profunda reflexão sobre este contexto, quiçá sobre a Festa do Minibasquete, que nos permita encontrar as respostas mais adequadas para esta situação concreta da formação das nossas crianças na modalidade.

 

 

Um bom ponto de partida é não esquecer, que dos cerca de 13.300 praticantes inscritos no Minibasquete, só cerca de 5.300 aparecem nos SUB 14. O que terá acontecido a estes cerca de 8.000 que iniciaram a modalidade?

 

Claro que os dias passados na Festa do Minibasquete em representação da sua Associação, nunca mais serão esquecidos por estas crianças.

 

A deslocação das suas terras no autocarro ou no comboio; a dormida fora de casa e com o seu grupo/equipa numa sala de aula de uma Escola; o foco na autogestão do seu esforço, que é muito para os quatro dias; o cumprimento das regras definidas pela organização e pelos seus selecionadores; a relação de conhecimento com outras crianças de outras zonas; a criação de novas amizades; os jogos mais ou menos conseguidos; o ressalto ganho ou perdido; o cesto ou o triplo convertido ou falhado; o 2X1 conseguido com a recuperação da bola; tudo isto são situações, momentos e elementos de aprendizagem; de formação e de enriquecimento da sua personalidade, que cada um deles vai construindo progressivamente.

 

 

Talvez tenhamos de ir por aqui e menos pela ambiência latente pela prevalência do resultado imediato, da performance, mais ou menos conseguida na espuma do tempo.

 

Não nos podemos esquecer de que estas crianças estão no início de um percurso possível na modalidade, caso queiram; que os temos de motivar; fidelizar e preparar corretamente para as exigências que terá e para que mais tarde sim, se encontrem em condições de encarar e lidar com sucessos e dissabores.

 

Pela nossa parte, na Associação de Basquetebol de Lisboa, continuaremos a desenvolver o nosso trabalho colocando sempre estas crianças no centro das atenções e preocupações, para que o seu crescimento como pessoas; a sua formação e evolução sejam a prioridade absoluta e se faça de modo sustentado respeitando as várias etapas do seu desenvolvimento pessoal; social; desportivo e humano.

 

Aqui e agora, queremos, contudo, deixar um agradecimento sincero aos nossos clubes; felicitar os nossos selecionadores pelo seu trabalho, bem como o nosso Gabinete Técnico pelo enquadramento conseguido e realizado; agradecer a participação dos nossos juízes presentes na Festa; agradecer o apoio das famílias sempre indispensável e decisivo; dar os parabéns aos nossos jovens praticantes pelo seu comportamento e postura na participação em todas as vertentes desta Festa do Minibasquete, em Paços de Ferreira. Muito obrigado a todos.

 

A Direção da ABL

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