Associação de Basquetebol de LisboaOpiniãoÉ preciso, é imperioso, voltar aos passos que já foram dados
É preciso, é imperioso, voltar aos passos que já foram dados
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Aumentar a massa crítica do basquetebol

Tema: Captação e fidelização de praticantes

 

É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles

José Saramago

 

Intencionalmente este texto caracteriza-se como uma reflexão. E aqui desde já uma ligeira “provocação” com o significado da própria palavra reflexão, que consultado o dicionário nos indica, em analogia com a terminologia basquetebolística, uma mudança de direcção, ou mudança de sentido na mesma direcção. Também nos diz o que habitualmente nos vem à memória quando aplicamos a palavra, ou seja, uma ponderação, comentário, pensamento.

Dir-se-á então que perante o desafio lançado pelos responsáveis federativos de intervir no debate sobre o tema captação e fidelização de praticantes, há claramente a intensão de me debruçar sobre o assunto com o fito de mudança (não confundamos com a palavra inovação), através da explanação de um conjunto de ideias subordinadas a esse mesmo tema e sob uma perspectiva mais centrada no trabalho associativo, dadas as minhas funções na direcção da ABL. Mas há também, julgamos, por parte de quem lança esse desafio, uma vontade de mudança, que cremos se traduza por uma transformação ao nível dos resultados e consequências a alcançar com a realização do referido debate.

A epígrafe desta comunicação leva-nos a um pretérito, que talvez por coincidência ou talvez não, passou por Coimbra e também por um evento com a mesma denominação do de hoje, salvo erro, porque se passaram 10 anos, um pouco mais, um pouco menos, daquela iniciativa que a FPB realizou. Na altura coube-me a tarefa de verter para o papel algumas das intervenções que nesse fórum foram proferidas. Foram horas e horas em que eu e outros companheiros estivemos de ouvido no gravador a desbravar as palavras e a formar as frases que identificariam cada comunicação. Sem tergiversações afirmo que o fórum de outrora falhou porque dele não se conheceram resultados, porque dele a FPB não soube reinventar um novo tempo, um tempo de acção e de consequente mudança, a qual provavelmente teria sido equacionada durante o referido fórum por alguns dos especialistas que juntou. Desejamos que desta vez a mudança possa acontecer e que os chamados contributos que à FPB cheguem sejam valorizados e encarados como incertezas (colectivas e/ou individuais) que procuram transformar o basquetebol.

É preciso, é imperioso, voltar aos passos que já foram dados, por isso também o esbatido neste texto revisita, recorrendo à memória, a livros, revistas e artigos, as ideias e opiniões, os projectos e experiências, que sobejam ao longo dos tempos sobre este tema. Muitas das experiências e ideias apareceram e desapareceram, outras apareceram e permanecem, consoante os protagonistas, as realidades, os contextos, os constrangimentos, as vontades e motivações que em torno do basquetebol, do sistema desportivo/educativo, se moveram e movem. Não é seguramente uma resenha bibliográfica o que se pretende mas simplesmente dar luz e chama a palavras de outros que pensaram, escreveram e escrevem, sobre a problemática da captação e fidelização de praticantes, numa realidade diferente, com os projectos e condições existentes hoje.

Encerrado o preâmbulo, interessa diferenciar as duas questões essenciais do tema, ou seja, a captação, que em termos teóricos vem a montante da fidelização do praticante. Os pontos chave são como atrair, captar ou chamar crianças e jovens à modalidade e depois como fazê-las continuar, num tempo prolongado, na própria modalidade. A primeira premissa que consideramos na abordagem do assunto é apenas num plano teórico se aceitar a distinção temporal entre captação e fidelização, porque qualquer projecto que incida nesta temática tem que considerar ambas, elas são interdependentes e um garante da consistência de um modelo de formação desportiva.

A palavra fidelização é um termo que ganha nova dimensão com a gestão do desporto e marketing. É encarado como uma estratégia cujo objectivo é tornar os praticantes/consumidores clientes habituais na modalidade. No fundo para uma fidelização o que realmente importa são os aspectos formativos da criança e jovem, a sua qualidade de prática, alicerçada esta nos meios de treino que o monitor/treinador emprega, porque são estes que influenciarão decisivamente a continuada participação da criança/jovem na modalidade. Aqui uma nota não despiciente que é a aceitação da anterior premissa por estarem resolvidas a priori as condições familiares/financeiras que permitem a prática da modalidade. Mais à frente retomaremos de novo a questão da fidelização, agora retemo-nos na problemática da captação num contexto da nossa modalidade.

 

 

Contexto do desporto/basquetebol (adaptado de Jean Côté)

Crianças/jovens atletas

Treinadores/Professores

Pais/Amigos

Infraestruturas locais/Autarquias

  • FPB
  • Associações
  • Ministério Educação               
  • IDPJ

Actividades

•Minibásquete (convívios, concentrações, circuitos, jamborees)

Desporto escolar e na escola (competições, convívios, inter-turmas, clube-escola, AEC´s; oferta de escola)

3x3 (formal e informal)

Campos de férias

Eventos promocionais (torneios, finais competições)

  1. Dimensão e localização da prática
  2. Ambiente familiar

Servimo-nos da abordagem de Jean Côté para percebermos que no contexto desportivo há um conjunto de variáveis que condicionam a prática de actividade física /desporto. A influência das cidades/ou local de residência dos jovens, as suas infraestruturas, o contexto familiar, as políticas desportivas/educativas, as questões sociais, têm influência sobre a decisão de praticar ou não uma modalidade. Na esfera do nosso tema o esmiuçar da cada uma das variáveis do contexto desportivo é despropositado, tentaremos ao invés, focalizar a nossa atenção na relação entre autarquias, escolas e clubes e nesta relação perceber também como potenciar os projectos já existentes em torno do basquetebol. Esta abordagem resvalará para a realidade associativa, pela razão já exposta.

Numa visão mais apertada do fenómeno, centramo-nos por momentos no papel que o Estado, nomeadamente as autarquias, desempenham e/ou deveriam desempenhar naquele que é um direito fundamental consagrado na Constituição, que é o direito ao desporto. Pensamos que tem havido um distanciamento gradual do Estado (governo, regiões autónomas e autarquias) naquilo que é o seu papel enquanto motor e garante da prática desportiva, em articulação com o movimento associativo (federações, associações, clubes) e a escola, promovendo uma prática ampla e abrangente da população. A óptica deveria ser séria, concreta, com uma orientação estratégica e estrutural de democratização desportiva. O entendimento que fazemos da realidade dos últimos anos nesta matéria tem sido de progressiva desresponsabilização, em primeiro lugar do próprio governo, e em segundo, e de forma consequente também das autarquias – ainda que em menor grau e de forma diferenciada - passando as federações a terem a obrigação de se constituírem como as únicas entidades responsáveis pelo desenvolvimento da sua modalidade. Paralelamente, assistimos a uma quase asfixia financeira, com a redução de verbas e outros constrangimentos legais/processuais ao poder local, às federações e quase o aniquilamento do movimento associativo/popular.

Num passado recente, foi visível por parte de muitas autarquias (regemo-nos ao conhecimento da área metropolitana de Lisboa), uma intervenção que passou pelo estabelecimento de programas de desenvolvimento desportivo, de programas de apoio ao movimento associativo, de planeamento, construção e gestão de instalações e infraestruturas desportivas. Neste desenvolvimento desportivo as competências das autarquias passaram obrigatoriamente pelo relacionamento com o sistema educativo, e aqui uma palavra para o contexto de mudança nas atribuições, poderes e competências que as autarquias têm vindo a adquirir substancialmente ao nível do 1º ciclo nos últimos anos e que rapidamente poderão estender-se a outros níveis de ensino.

Na tríade autarquia-escola-clube, os projectos ao nível das actividades de enriquecimento curricular no 1.º ciclo do ensino básico são relevantes. Neste contexto, os municípios surgem como as entidades promotoras privilegiadas pelo ministério da educação para a implementação do programa, cabendo-lhes a elaboração da candidatura ao apoio financeiro, bem como, o estabelecimento de acordos de colaboração com os agrupamentos de escolas. Há estudos e autores que apontam críticas a este programa, críticas estas na nossa opinião bastante atinentes e preocupantes. Uma das críticas mencionadas é o programa introduzir uma “lógica mercantil” que poderá levar à escolha das autarquias do pacote de actividades que apresenta maiores vantagens financeiras em detrimentos de outras actividades, e também uma desqualificação profissional e social dos educadores e professores envolvidos. Este programa surge num cenário em que a análise das políticas públicas põe em evidência a importância da regulação nos processos de recomposição do papel do Estado, o qual continua e deve continuar a ser importante e fundamental na definição, condução e execução das políticas e acções públicas. Apesar das vulnerabilidades e perigos do programa existem experiências bastante positivas e, admitimos, potencialidades que clubes e associações desportivas têm de aproveitar, porque deste modo permite-se o acesso de crianças provenientes de meios sociais economicamente mais carenciados a um conjunto de experiências educativas / desportivas entre as quais o basquetebol. Um dos benefícios do programa a este nível tem sido efectivamente a criação de parcerias com os clubes e/ou associações desportivas num esforço de captar, dinamizar, divulgar e ensinar a prática do basquetebol a mais crianças e jovens de forma regular, estruturada e se possível com qualidade.

 

A experiência recente na direcção da ABL junto das 16 autarquias que constituem a área de jurisdição da associação, embora diminuta, mostrou fragilidades e inexistência de planos de dinamização e desenvolvimento da prática desportiva e, nestes, os planos de modalidades quase desapareceram. Para nós deve-se excluir a mera calendarização de actividades e apoio pontual a um ou outro evento, como um plano e uma visão que transmita a ideia de progresso e de aperfeiçoamento de uma modalidade num determinado concelho. É oportuno frisar que globalmente a intervenção ao nível do associativismo desportivo (sem aferirmos se a intervenção assenta em medidas estratégicas de uma política desportiva) é uma das principais áreas de acção, dado o importante e insubstituível papel que os clubes, especialmente, desempenham na formação e desenvolvimento da juventude. Além do apoio financeiro outras vertentes deste apoio foram detectadas:

- cedência de transportes;

- cedência de material e equipamento desportivo-apetrechamento;

- prioridade e condições preferenciais no acesso a equipamentos desportivos municipais;

- Apoio técnico e apoio logístico a actividades a desenvolver por clubes /associações e federações.

Seria uma ajuda significativa as autarquias realizarem estudos que indicassem os equipamentos desportivos existentes, os clubes existentes, os espaços naturais para a prática desportiva, o enquadramento humano existente, etc.

Aos olhos do trabalho associativo, um plano de desenvolvimento do basquetebol para a sua área de jurisdição faz todo o sentido se queremos uma intervenção consequente na realidade do basquetebol. O âmbito do tema desta comunicação assume particular importância na construção desse mesmo plano de desenvolvimento. Do levantamento da realidade associativa é importante o estabelecimento de prioridades, de acordo com os objectivos definidos pela direcção da associação no desenvolvimento da modalidade. Se há concelhos onde não existe prática de basquetebol há acima de tudo que:

- quantificar o número de escolas e suas instalações para a prática da modalidade; se há cursos profissionais/vocacionais na área do desporto;

- a existência de desporto escolar com núcleos-equipa de basquetebol/seus professores;

- a existência de outras infraestruturas que sirvam essa prática;

- a existência de clubes e nestes se há alguma tradição/passado na modalidade;

- Condições de funcionamento do 1º ciclo ao nível da expressão físico-motora (funcionamento das AEC´s, áreas curriculares não disciplinares para incremento da modalidade como oferta de escola, etc);

- promoção de actividades de tempos livres – campos de férias de basquetebol (articulação com juntas de freguesia);

- promoção e divulgação da modalidade junto da população escolar através da realização de torneios, competições oficiais (finais distritais), eventos de carácter nacional ou internacional, circuitos de rua (3x3), implementação de projectos federativos já existentes (jamborees, 3x3 escolas, etc).

 

Deste levantamento e em sinergia tanto com o Desporto Escolar (CLDE´s e estrutura regional/nacional) como com a respectiva autarquia, devem ser criadas condições (enquadramento técnico, material e financeiro) para o aparecimento de núcleos de minibásquete, ou antes ainda, para o aparecimento simplesmente da modalidade no 1º ciclo, ou a possibilidade de criação do clube-escola.

Para os concelhos onde já exista essa prática há que perceber (para além de se efectuarem acções de promoção idênticas e o mesmo levantamento ao nível das infraestruturas e situação escolar), quais os escalões onde a associação deve incidir prioritariamente a sua acção (minibásquete, sub-14, sub-16 ?), que tipo de dificuldades e problemas apresentam os clubes (financeiras, organizacionais, instalações e materiais, recrutamento de praticantes, formação treinadores, etc). É consensual na modalidade os clubes representarem o alvo e esforço de uma associação. A sua acção deve incidir sobremaneira nos clubes. É por isso que com estas instituições de acolhimento de praticantes se deve fomentar e criar uma comunicação e cooperação estreitas de moda a:

-organizar a formação de técnicos atendendo tanto às prioridades associativas como às particularidades dos clubes;

-promoção de campos/estágios de aperfeiçoamento para os atletas de determinados clubes por concelho ou concelhos limítrofes; Junto das autarquias potenciar o trabalho dos mais aptos ao nível das selecções regionais de forma continuada no tempo;

- potenciar o alargamento da prática em redor dos agrupamentos escolares (escolas do 1º ciclo através das AEC´s, oferta de escola, onde isso seja possível) onde haja um clube aglutinador e orientador do ensino da modalidade, envolvendo alunos e professores e abrir as portas das escolas aos clubes. Neste ponto é necessário identificar as dinâmicas dos clubes promovendo o próprio clube na cooperação com as escolas. Há exemplos de clubes que entraram em determinadas escolas/agrupamentos e estabeleceram parcerias definindo com elas planos de formação (professores e árbitros), organizando, ou co-organizando torneios, actividades, etc;

- junto das autarquias conseguir melhores apoios em termos de infraestruturas de treino e financeiras para os clubes (ex: pagamento de inscrições);

- apoiar os clubes em termos de materiais, nomeadamente bolas direccionadas para as equipas de minibásquete;

-desenvolver com os clubes (nomeadamente aqueles que têm instalações próprias) protocolos/contratos-programa;

 organizar convívios/encontros com equipas de minibásquete com regularidade, por proximidade e/ou distritais, cumprindo com as exigências técnico-pedagógicas que este nível de idades compreende;

- organizar competições abertas à comunidade envolvente com ênfase em equipas escolares e de clubes. As equipas do desporto escolar se assim o entenderem podem participar nos quadros competitivos do desporto federado. Para tal deve existir uma coordenação entre a estrutura associativa e as estruturas locais do desporto escolar. A penetração do basquetebol nas escolas poderá no 2º e 3º ciclos ser feita por aquela via e concomitantemente existirem acções de divulgação e sensibilização da modalidade na própria escola;

 

O projecto global que deve ser o desporto escolar pode para além dos seus núcleos desportivos, onde a actividade se faz ao nível das modalidades, essencialmente, conter outras áreas que interessam a uma perspectiva associativa: A sensibilização das crianças e jovens para a prática da actividade física e do desporto, a formação e preparação de muitos jovens em tarefas de arbitragem, organização de actividades, orientação e condução de crianças nas actividades, defesa da ética e espírito desportivo. Estas áreas não devem ser menosprezadas mas sim valorizadas quando se trata do Desporto Escolar.

Ainda na realidade escolar, aproveitar a existência do projecto de 3x3 nas escolas como possível momento de recrutamento de crianças e jovens para a modalidade (árbitros, praticantes, enquadramento humano).

 

Sobre este projecto é-me permitido afirmar que ele se constitui de facto como uma oportunidade de penetração nas escolas e fomento do basquetebol. Junto dos alunos promove a sua maior participação, proporciona uma actividade desenvolvida de forma vertical em termos competitivos, num ambiente que favorece a camaradagem, a diversão, a troca de experiências, o espírito desportivo, o desenvolvimento harmonioso de quem dele usufrui, a organização e o rigor. Junto dos professores foi-se constituindo como um instrumento de formação e educação válidos. A ele embrionariamente esteve ligado um projecto de detecção de talentos ao pretender lançar uma rede de técnicos com funções de observação e consequente recolha de dados. Medida esta passível de ser reequacionada por considerarmos importante na captação de praticantes. Com ele foram delineadas as condições para uma prática informal de 3x3 através de torneios de rua ou mais formalmente criando um circuito nacional de 3x3 com ligação às competições internacionais já existentes a este nível. Na impossibilidade de tal acontecer podem as associações junto das autarquias e clubes incrementar este tipo de actividades (formais, informais/mista). A ligação deste projecto ao tecido associativo e à comunidade em geral é fulcral, ele deve merecer um plano de comunicação particular e cuidado por parte dos seus responsáveis.

Pensamos que no essencial abordámos as diversas vertentes da problemática da captação de praticantes sem a desligarmos da própria manutenção dessa prática. Antes de terminarmos esta comunicação iremo-nos situar em concreto na fidelização da prática no basquetebol incidindo sobre outro projecto federativo/associativo que tem um papel muitas vezes decisivo na continuação ou abandono da modalidade. O minibásquete, reconhecido como uma actividade que pode possibilitar a auto-renovação e a construção de um futuro mais sustentado na modalidade, como frisou o presidente da FPB, na celebração dos 50 anos do minibásquete.

Como escrevemos no início deste texto, para uma continuada participação na modalidade assume vital importância a qualidade da prática, espelhando esta uma determinada orientação e formação desportiva, objectivos e tipo de organização propostos. O minibásquete não tem como objectivo prioritário a formação de jogadores de basquetebol, embora os seus conteúdos estejam obviamente relacionados com a modalidade. San Payo Araújo refere que o minibásquete deve conseguir cativar o maior número de crianças possível e que a experiência seja tão positiva que as leve a fidelizar à modalidade durante o maior número de anos possível.

São conhecidas as causas do abandono desportivo e entre estas os estudos confirmam o modelo de organização das modalidades, por um lado e a orientação e organização da prática por outro, como duas das mais importantes causas desse abandono. Sem pretendermos alongar e debater o modelo de formação desportiva, parece-nos, no entanto, importante relembrar que nas primeiras fases de prática os objectivos da mesma relacionam-se com:

- o desenvolvimento harmonioso e multifacetado dos jovens praticantes;

- uma correcta aprendizagem das componentes técnicas fundamentais que favoreçam uma posterior progressão desportiva;

- o prazer, a participação, sucesso e desenvolvimento da auto-estima, confiança e eficácia;

- a motivação intrínseca existente nas crianças pela prática física; equilibrar de forma correcta a suas expectativas, a dos pais, com as reais capacidades, exigências da modalidade e seu processo de progressão;

- a formação cívica e ética dos praticantes.

Face ao exposto cabe ao treinador uma atenção particular a estas situações e ser um elemento facilitador da integração da criança/jovem na equipa e na prática. A sua intervenção ao nível da prática, dotando-a de qualidade é sobremaneira decisiva. Esta qualidade manifesta-se através da escolha dos temas treináveis, centrados claramente nos fundamentos da modalidade; através de estímulos agradáveis e desafiantes, como também através do envolvimento dos praticantes nas decisões e avaliação do trabalho desenvolvido. Nestas circunstâncias também é pertinente perceber se os treinadores e o próprio clube fomentam um clima onde as aprendizagens sejam o objectivo principal dos treinos e das competições e se estas se coadunam com as primeiras etapas de formação do praticante.

No minibásquete há muito que se defende a realização de torneios/convívios abertos à participação de equipas representantes de escolas, clubes, organizações de juventude, etc. Torneios onde a influência do adulto é diminuta, onde a competição, seja através do jogo formal ou reduzido, é repetida, de curta-duração e pequena organização, onde a participação mista entre rapazes e raparigas é natural (principalmente nos sub-8 e 10) e onde não existem preocupações nem contagem de resultados nos jogos. Nesta etapa inicial os cuidados pedagógicos referidos determinam práticas de sucesso porque contribuem para o correcto desenvolvimento e permanência das crianças e jovens no basquetebol.

 

Não é uma visão pessimista considerar que a produção do conhecimento e compreensão dos fenómenos tenha obrigatoriamente que se traduzir num efeito emancipador, mas obrigatoriamente esta reflexão é encarada como uma actividade prática, que por si só, bem o sabemos, não transforma a realidade, mas ajuda-nos a perceber o modo como ela aparece e como é concretamente produzida. Cremos, portanto, que a reflexão seja um contributo, o contributo procurado pela FPB, e que estimule um desejo de acção, de diálogo e de atitude, porque encontrado está o sentido para agir. Sabemos que o rifão que não vem de molde é mais disparate do que sentença, ainda assim arriscamos escrever que o principiar as coisas é tê-las meio acabadas. Assim seja o fórum.

27 JUL 2015
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